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Como reaproveitar a água do ar condicionado

Como reaproveitar a água do ar condicionado
Como reaproveitar a água do ar condicionado

Você sabia que é possível utilizar a água clara do seu ar condicionado para uso não potáveis? A conclusão é de uma pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) entre os anos de 2018 e 2020.

A pesquisa “Avaliação da viabilidade de uso e aceitação social da água clara gerada por aparelhos de ar-condicionado” foi realizada pela pesquisadora Jéssika de Oliveira, com suporte dos professores Williame Farias, Tarciso Cabral, Cristina Crispim e Gilson Barbosa. A análise se deu por meio de coletas em equipamentos de climatização instalados no campus I da UFPB, em João Pessoa.

“Buscando averiguar o volume gerado, coletou-se água de 38 aparelhos de potências variadas, entre 7.500 e 80.000 BTU/h, localizados em seis tipos de ambientes: auditório, bibliotecas, copiadoras, salas administrativas, salas de aulas e laboratórios. Mesmo sem tratamento especial, a água clara gerada apresentou-se como uma solução bastante viável”, conta Jéssika. “Através das 188 coletas na UFPB, foi observado que, quanto maior a potência dos aparelhos, maior tende de ser o volume gerado”, diz a pesquisadora.

Economia financeira

A pesquisadora da UFPB afirma que, de maneira sistêmica, planejada e bem projetada, é possível, com o aproveitamento do recurso saindo do ar-condicionado, além de atender questões ambientais, obter economia financeira na instituição.

De acordo com a pesquisa, os aparelhos de ar-condicionado usam processos bem similares ao das máquinas de condensação do ar, mas, comumente a água – nomeada pela NBR 16.783/2019 de água clara – é desprezada.

A pesquisa

Como reaproveitar a água do ar condicionado

Na análise realizada pela pesquisa, foram coletadas, por exemplo, vazões entre 0,20 e 6,81 L/h (Litro por hora), dos aparelhos de 7.500 e 80.000 BTU/h, respectivamente. No entanto, os pesquisadores registraram vazões com valores discrepantes em um mesmo aparelho ou em aparelhos de potência idêntica.

“Logo, foi notado que, além da potência, a umidade relativa do ar, principalmente do ar interno, e a carga térmica (calor sensível e calor latente) do local também têm influência sobre o volume gerado”, destaca –  as discrepâncias no volume de água dos aparelhos idênticos podem acontecer diante de fatores como fluxo de pessoas, instalações mais próximas à entrada do local e funcionamento ininterrupto dos aparelhos. Também por causa de possíveis pontos de infiltração de ar. 

Na pesquisa, com intuito de auxiliar projetos que visem o uso dessa fonte alternativa, uma equação foi construída para estimar a vazão produzida de água clara através da umidade relativa do ar interno e da potência dos aparelhos.

Para verificar a qualidade da água clara, foram coletadas amostras em seis aparelhos, sendo feita a análise dos parâmetros em parceria com a Coordenadoria de Medições Ambientais, da Superintendência e Administração do Meio Ambiente (Sudema).

“Os parâmetros físicos e químicos analisados (cor, turbidez, pH, condutividade e sólidos totais dissolvidos) estão todos em conformidade com a NBR 16.783/2019, a norma pertinente às fontes alternativas de água, e com os padrões estabelecidos na legislação referente à potabilidade da água”, ressalta.

Quanto à análise microbiológica da água dos aparelhos de ar-condicionado, distingue Jéssika, houve a presença de “coliformes termotolerantes” em todas as amostras. Mas os valores se mostraram abaixo dos limites permitidos pela norma brasileira NBR 16.783/2019.

“Com um simples tratamento, filtração e cloração, passa a haver possibilidade de conformidade quanto à potabilidade da água”, acredita a pesquisadora da UFPB.

Recurso

No trabalho, foi analisada também a percepção ambiental da população sobre a água clara. Os pesquisadores constataram que o ar-condicionado é um item bastante comum no dia-a-dia de 137 participantes da pesquisa.

A partir de um inventário disponibilizado pela Gerência de Manutenção e Equipamentos (GME) da UFPB, os pesquisadores constataram uma quantidade de 3.258 aparelhos do modelo SPLIT na instituição. Os aparelhos com potências de 12.000, 18.000 e 24.000 BTU/h foram os mais presentes.

“Pela pesquisa realizada, esses aparelhos possuem vazões médias de água clara entre 1,37 e 2,41 L/h, sendo o volume produzido escoado para o sistema de esgoto. Ou ainda, de forma errônea, despejado nas calçadas, o que pode causar até danos às estruturas das edificações”, lamenta a pesquisadora da UFPB.

Dicas de como reaproveitar a água do ar condicionado

Dicas de como reaproveitar a água do ar condicionado
Como reaproveitar a água do ar condicionado

A água que sai do ar condicionado é produzida porque o aparelho remove a umidade do ar em um processo denominado “condensação”, que ocorre quando a água passa de gasosa para líquida. Em climas mais úmidos, mais água pode condensar, causando ainda mais gotejamento. Mas a quantidade liberada pelos dispositivos também pode variar dependendo de sua potência e tempo de execução.

Você pode coletar essa água de formas simples, com baldes instalados, ou recolher por meio de um sistema de drenagem, criado especialmente para captar a água.

Vale destacar que ela é imprópria para consumo, mas muito própria para a limpeza da casa, lavagem do carro e calçadas, regar as plantas e várias outras utilidades.

Além disso, em termos ambientais, ela inibe o acúmulo de água para a proliferação de mosquitos como o Aedes aegypti, diminuição na contribuição da água direcionada para drenagem urbana e ainda reduz a quantidade de água retirada dos mananciais.

De qualquer forma, reaproveitar nunca é demais, e é uma das melhores formas de promover a sustentabilidade.

Fonte: Portal tratamento de água

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